Título: As intermitências da morte.
Autor: José Saramago.
Editora: Compania das letras.
Edição: 1ª
Páginas: 208
Sinopse: No dia seguinte ninguém morreu. O facto, por absolutamente contrário às normas da vida, causou nos espíritos uma perturbação enorme, efeito em todos os aspectos justificado, basta que nos lembremos de que não havia notícia nos quarenta volumes da história universal, nem ao menos um caso para amostra, de ter alguma vez ocorrido fenómeno semelhante, passar-se um dia completo, com todas as suas pródigas vinte e quatro horas, contadas entre diurnas e nocturnas, matutinas e vespertinas, sem que tivesse sucedido um falecimento por doença, uma queda mortal, um suicídio levado a bom fim, nada de nada, pela palavra nada. Nem sequer um daqueles acidentes de automóvel tão frequentes em ocasiões festivas, quando a alegre irresponsabilidade e o excesso de álcool se desafiam mutuamente nas estradas para decidir sobre quem vai conseguir chegar à morte em primeiro lugar.
Minhas impressões
Da capa: A capa me chamou a atenção primeiramente pelo grande nome de Saramago. Impossível não se interessar por um livro de sua autoria. Ou até mesmo de um livro que ele possa ter gostado de ler. O peso do autor veio em primeiro lugar. Em segundo a imagem da capa. Estranha, identificável, simples e um tanto quanto sinistra. Pra mim ficou muito boa. Mas minha primeira impressão errada quanto a essa obra surgiu quanto ao título. Eu havia entendido “Intermitência” como algo parecido com “pensamentos, reflexões, ou até protestos”. O conceito real (interrupção momentânea) não havia passado pela minha mente. Mas creio que seja algo que aconteça mais do que raramente todos os dias.
Do livro: Confesso que comprei o livro a anos mas me decepcionei quando comecei a ler. Sem pontuações e no português de Portugal (Saramago não aceita que seus livros sejam traduzidos) a leitura se tornou rapidamente cansativa. Logo deixei o livro no canto, mas sempre com a idéia de retornar. Um dia prossegui e só pude me maravilhar com a maestria do autor. Um dia simplesmente a morte deixa de matar. Além de todos os dramas pessoais que poderiam ocorrer os dramas políticos são os que mais chamam a atenção. Eu nunca havia imaginado tamanhos problemas com cemitérios ou até mesmo a Máfia. Saramago realmente se mostra mais uma vez como um grande escritor.
Grandioso como o livro não fica apenas nessa intermitência do matar, como também evolui para outros ramos até que se torne realmente mais pessoal. E é no fim da história que fica explicado o porquê do livro não ter pontuações. Maravilhoso. Um dos meus livros preferidos hoje em dia.



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